Plano econômico de Javier Milei na Argentina: Opinião e Perspectivas

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Por que o programa econômico argentino pode estar fadado ao fracasso?

O programa econômico argentino não configura um plano consistente e vai naufragar. Seu grande sucesso inicial, a produção de superávit fiscal em janeiro e fevereiro, o primeiro em uma década, que tanto impressionou muitos analistas, é simples de ser produzido. Com inflação de dois dígitos, bastam alguns cortes nominais de pagamentos e transferências para se conseguir quedas reais brutais, como as que se observaram.

Como será possível sustentar os ganhos em um regime democrático?

O difícil será sustentar esses ganhos em um regime democrático, pelo tempo suficiente para abafar a inflação, em meio ao aumento da pobreza e à forte recessão que serão inevitáveis.

O que poderá desencadear uma reação em cadeia na economia argentina?

Antes de tudo, é preciso ter em mente que as famílias e as empresas na Argentina dividem-se em dois grupos: os que só têm pesos (como aposentados e muitos assalariados) e os que têm pesos e moeda estrangeira. O fato de todos eles fazerem contas em dólar só torna mais aguda a dicotomia.

Imagem ilustrativa da Argentina.

O dólar oficial já se valorizou, como isso afetará o plano econômico?

O dito plano é simples: após uma desvalorização nominal no câmbio oficial, liberam-se preços e tarifas (que na maior parte dos casos são multiplicados por três ou mais) e cortam-se as transferências públicas, que mantêm a inflação alta e produzem uma enorme contração de renda. Por exemplo, ao cabo do primeiro bimestre, em termos reais, as receitas caíram mais de 8%, os gastos primários caíram 28%, as transferências às províncias, 33%, e os dispêndios de capital, 73%.

Falta de âncora nominal e instabilidade política: ingredientes para o fracasso?

A grande pergunta é se esse padrão será minimamente sustentável, questão que ganha força se notarmos que o dólar oficial já valorizou 35% desde a última mudança. Vamos ter outra correção?

Ademais, o plano não tem nem sequer uma âncora nominal, nem um conjunto organizado de reformas econômicas a serem aprovadas pelo Congresso. Ao contrário, as propostas do Executivo alteraram todas as regras simultaneamente na chamada “Lei Ônibus” e estão sendo sistematicamente rejeitadas pelo Congresso e por Tribunais.

Imagem ilustrativa de economia em crise.

O governo argentino está preparado para lidar com a recessão iminente?

O governo é muito fraco politicamente, agravado pelo discurso libertário radical e um programa econômico tosco. Há também uma clara subestimação do tamanho da recessão que irá ocorrer, mitigada apenas pela importante recuperação da produção agrícola. Os indicadores de produção industrial caíram mais de 10% e a construção, mais de 6% em janeiro e fevereiro, antevendo o que vem adiante.

É muito difícil imaginar que se absorva sem reações uma queda abrupta de 20% a 30% na renda real de parte significativa da sociedade, que já ostentava na origem níveis elevados de pobreza, em regime democrático.

No final das contas, os níveis de incerteza voltarão a se elevar e o plano econômico argentino poderá naufragar em meio a esses desafios iminentes.

Concluindo, é válido questionar a viabilidade e sustentabilidade do programa econômico atual da Argentina, especialmente diante das incertezas políticas e econômicas envolvidas. Como esses desafios serão superados e se a economia será capaz de se recuperar são questões cruciais para o futuro do país. Apenas o tempo dirá se as medidas implementadas serão eficazes ou se um cenário de colapso se aproxima. **Lembre-se de deixar suas opiniões e compartilhar este artigo para que mais pessoas possam refletir e debater sobre o tema. Obrigado por ler!**


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